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Quando comecei a admirar o senhor Emerson Leão, o ano
era 2002, quando o Santos levou o Campeonato Brasileiro com os
meninos revelados pelo próprio: Robinho, Elano, Diego,
Willian, Renato, etc. O Milton Neves o chamava de carregador de
tijolos por causa da cor avermelhada de seu cabelo, e eu achava
muita graça.
Como técnico, trouxe sucesso e liderança às
equipes que comandou, e isso não há como negar.
Rigidez, comando, conversa e inteligência que lhe deram
o status de um dos melhores treinadores do país.
Infelizmente, como mulher e como jornalista, pude constatar seu
desrespeito, tanto às mulheres, quanto para com meus colegas
de profissão. “Aqui entre nós, não
dá para falar com mulher sobre futebol", disse há
algum tempo atrás, se referindo à safra de garotas,
que como eu, estão chegando à imprensa esportiva.
Isto é uma afronta?! Posso falar sim! Falo de 4-3-3, de
Carrossel Holandês e Rinus Michels, de Puskas, de WM, de
bola fora de campo e de impedimento. Alguns com um entendimento
maior, é claro, pois há a diferença entre
saber e entender. Como jornalista, sei de tudo um pouco, porém
entendo de muita coisa, principalmente sobre futebol.
A gota d’água foram as respostas de extremo mau-gosto
e acéfalas dadas à minha ídola Marília
Ruiz. Aliás, digam o que quiser, sou fã do trabalho
dela e me espelho demais em seu profissionalismo e garra. Quando
a vi pessoalmente pela primeira vez, no Parque São Jorge,
há uns três anos atrás, a primeira coisa na
qual pensei foi em dizer o quanto ela é um exemplo para
mim, mas tive vergonha, medo de atrapalhar ao seu trabalho, e
acabei deixando essa oportunidade passar.
O senhor Emerson Leão não destratou apenas à
jornalista como profissional, mas a mulher. Disse coisas que garanto
que se fossem ditas às filhas dele, imediatamente ele tomaria
providências drásticas. Coisas que se fossem ditas
a mim, meu pai reviraria a cidade para ter uma “conversinha”
com ele.
Não tive a oportunidade de trocar palavras com este senhor
e atualmente não tenho vontade. Quem tem todos os dias
não suporta mais as respostas atravessadas e o sarcasmo
pouco inteligente. Infelizmente nem todos podem largar o microfone
na sala de imprensa em protesto, durante suas frustrantes entrevistas
coletivas. Como mando e desmando neste site, desde já fica
comunicado que ao invés de citar seu nome, direi técnico
do Corinthians, em solidariedade aos meus colegas e porque, sim,
estou revoltada. Para o programa Tribuna do Esporte, o mesmo prevalece
de minha parte. Quem não respeita à minha classe,
não merece ser reportado. Caso haja um pedido de desculpas,
ou algum tipo de retratação, mudarei minha postura,
o que de fato não ocorrerá tão cedo de acordo
com nosso personagem “ilustre”.
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