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26/02/2007

Ponto de vista: Apenas treinador do Corinthians

Por Andréia

Quando comecei a admirar o senhor Emerson Leão, o ano era 2002, quando o Santos levou o Campeonato Brasileiro com os meninos revelados pelo próprio: Robinho, Elano, Diego, Willian, Renato, etc. O Milton Neves o chamava de carregador de tijolos por causa da cor avermelhada de seu cabelo, e eu achava muita graça.

Como técnico, trouxe sucesso e liderança às equipes que comandou, e isso não há como negar. Rigidez, comando, conversa e inteligência que lhe deram o status de um dos melhores treinadores do país.

Infelizmente, como mulher e como jornalista, pude constatar seu desrespeito, tanto às mulheres, quanto para com meus colegas de profissão. “Aqui entre nós, não dá para falar com mulher sobre futebol", disse há algum tempo atrás, se referindo à safra de garotas, que como eu, estão chegando à imprensa esportiva. Isto é uma afronta?! Posso falar sim! Falo de 4-3-3, de Carrossel Holandês e Rinus Michels, de Puskas, de WM, de bola fora de campo e de impedimento. Alguns com um entendimento maior, é claro, pois há a diferença entre saber e entender. Como jornalista, sei de tudo um pouco, porém entendo de muita coisa, principalmente sobre futebol.

A gota d’água foram as respostas de extremo mau-gosto e acéfalas dadas à minha ídola Marília Ruiz. Aliás, digam o que quiser, sou fã do trabalho dela e me espelho demais em seu profissionalismo e garra. Quando a vi pessoalmente pela primeira vez, no Parque São Jorge, há uns três anos atrás, a primeira coisa na qual pensei foi em dizer o quanto ela é um exemplo para mim, mas tive vergonha, medo de atrapalhar ao seu trabalho, e acabei deixando essa oportunidade passar.

O senhor Emerson Leão não destratou apenas à jornalista como profissional, mas a mulher. Disse coisas que garanto que se fossem ditas às filhas dele, imediatamente ele tomaria providências drásticas. Coisas que se fossem ditas a mim, meu pai reviraria a cidade para ter uma “conversinha” com ele.
Não tive a oportunidade de trocar palavras com este senhor e atualmente não tenho vontade. Quem tem todos os dias não suporta mais as respostas atravessadas e o sarcasmo pouco inteligente. Infelizmente nem todos podem largar o microfone na sala de imprensa em protesto, durante suas frustrantes entrevistas coletivas. Como mando e desmando neste site, desde já fica comunicado que ao invés de citar seu nome, direi técnico do Corinthians, em solidariedade aos meus colegas e porque, sim, estou revoltada. Para o programa Tribuna do Esporte, o mesmo prevalece de minha parte. Quem não respeita à minha classe, não merece ser reportado. Caso haja um pedido de desculpas, ou algum tipo de retratação, mudarei minha postura, o que de fato não ocorrerá tão cedo de acordo com nosso personagem “ilustre”.

 

Concordou? Discordou? Faltou algo? Opine!

 


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