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22 de agosto de 2008

Opinião

Prata que vale ouro

por Andréia

Sabem quem era a louca que vestia a camisa promocional do Brasil na Copa de 86, com uma fita dourada no cabelo, correndo da aula para o primeiro lugar que tivesse uma TV ligada? Eu, que aflita, entrei em um boteco, e assisti aos últimos sete minutos da derrota das nossas meninas no futebol, que até poderia ser vista como vitória. Talvez apenas eu tenha enxergado desta maneira. Creio que eu tenha sido a única a usar verde e amarelo para torcer pela seleção feminina.

Entregaram medalhas de prata para pés, corações e visões que valem ouro. Mas, é claro, que Marta, Cristiane, Daniela, Formiga e cia são douradas, gente! Porque elas não ganham remunerações de seis dígitos, aturaram pessoas preconceituosas na infância, e enquanto muitas enfrentam o frio, e a saudade dos familiares pela falta de apoio no país do futebol... masculino, outras não têm o mínimo decente de condições para atuar – se é que conseguem atuar, caso da goleira Bárbara, desempregada há quase um ano, quando o Sport não a procurou mais.

Para a CBF, a prata não vale nenhuma premiação [reportado pela Folha de S. Paulo, hoje], enquanto “um prêmio bom” lhes seria entregue, se a medalha fosse de ouro. Eles querem ouro? Então tratem de investir no futebol feminino. Categorias de base nos clubes, patrocinadores, salários honráveis e um campeonato nacional – se de estadual, o Paulista já é um pioneiro. Enquanto as campeãs norte-americanas terão um grande nacional pela frente, as brasileiras voltam para casa, cheias de incertezas. Contudo, neste momento o que importa não é a cor da medalha, porque para nós brasileiros, elas são as vencedoras. Mulheres fortes que nos inspiram de alguma maneira, mesmo que seja apenas um sorriso ao ver um chute bonito.


 

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