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23 de maio de 2008
Opinião
Comemorar não é provocar
por Andréia
Quando soube que a CBF proibiu as comemorações
pós-gol, voltei a pensar no assunto. E não
mudei nem um pouco meu ponto de vista. Sou a favor, desde
que haja punição às provocações
e não a qualquer comemoração. Afinal,
qual é a graça de se chutar a redonda para
dentro da rede e só esperar a reposição
de bola?
Valdívias e Souzas que choram, Tevez que fazem
gesto de silêncio [para a torcida de seu time, inclusive],
Thiagos que fazem Créu, Violas que imitam porquinhos,
Diegos que sapateiam em escudos alheios... Isso incita
o cidadão que vai ao estádio procurando
confusão. Dá pano para mangas. O próprio
Tevez teve de arcar com as conseqüências de
afrontar os corintianos, que, de saco cheio, chutaram
o carro do argentino, após o ocorrido.
E o Créu? Aquela indecência! Porque, não
é uma ofensa ao ego do adversário, mas uma
referência ao obsceno, quando o Brasil está
tentando levar mães e filhos aos estádios.
Meus filhos não vão saber o que foi o Créu
– até porque, até lá, já
terão inventado alguma outra moda estúpida.
Vão fazer velocidade cinco para as tuas senhoras!!!
A Dança do Quadrado é mais divertida e saudável,
e poderia ser adotada – exceto a parte do Zidane.
Talvez a Dança do Índio Chiquinha fosse
uma excelente opção.
Pode comemorar sem parecer que se está na sala
de concertos do Teatro Municipal? Claro que sim. Quando
Tevez tirava a chupeta de dentro do calção
e homenageava sua filha Floppy, ou reproduzia passos de
cumbia. Quando Paulo Nunes usava a máscara da Tiazinha.
Quem não se lembra, na Copa do Mundo em 1994, cuja
comemoração do “Nana, Neném”
de Bebeto ficou eternizada? E o “clichezístico”
beijo na aliança? E o videogame dos guris no Sul-Americano
Sub-20, no ano passado? E o coração meio
esquisito do Pato? E o samba do Ronaldinho [essa faz tempo
que não rola, hein?]? Entre tantas outras. Desde
que não cutuque a onça com vara curta, que
mal tem?
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