30/07/2007
Opinião: Teus risonhos lindos campos têm mais flores
Somos o país do futebol, correto? Não, ainda não.
Somos um país machista, onde pais e mães colocam
suas filhas para terem aulas de balé, e os filhos, futebol.
Onde uma mulher que ama futebol tem sua sexualidade questionada,
tem seu nome envolvido com atletas por uma simples amizade, é
testada a cada minuto.
Ouçam o apelo da Daniela Alves, e das outras atletas.
Deixem que as gurias trabalhem, pois é apenas isso que
almejam. Jogadoras merecem condição, incentivo e
respeito, assim como os garotos.
Temos a beleza, a delicadeza e porque não a raça.
Equivalemos a guerreiras, porque ouvimos deboches, piadas de mau
gosto e somos confundidas, inclusive por mulheres adeptas da ideologia
machista. Não abrandamos e pulamos janelas quando nos fecham
portas.
Como dói receber e-mails de garotas, pedindo que as ajudem
no futebol, sendo que não posso fazer nada por elas.
Bolsa de estudo para atletas em todas as universidades e escolas
particulares deveria ser lei, e nas instituições
públicas, um ganho financeiro por mérito. Vocês
não têm idéia o quanto isso faria com que
a Fundação Casa tivesse menos internos, de quantos
atletas não precisariam viajar para os EUA, ou Europa.
Isso, em qualquer esporte. Temos espaço, atletas, e agora
depende do governo. Quantas Martas, Pretinhas, Andréias,
Danielas, Cristianes, Thiagos, Diegos, Diogos, Hugos, Fabianas,
Edinancis, Yanes e Marcéis, do Oiapoque ao Chuí...
quantos estão apenas à espera de um estímulo
cordato... Ai, tio Lula e tio Orlando, são tantos.
És belo, és forte, impávido colosso. E o
teu futuro espelha essa grandeza.
Andréia de Moura
|