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15
de março de 2008
Opinião
Não se brinca com os sonhos de ninguém
por Andréia
Nesta semana o país ficou chocado
com o caso do pseudo-empresário Sílvio Luiz
Araújo, que mantinha 20 garotos com idade entre
11 e 17 anos em condições precárias.
Esses garotos não foram seqüestrados, todavia
viviam como tais. Tudo, porque tinham o sonho de vestirem
a camisa de um grande clube, talvez um dia, da Seleção
Brasileira.
Assim como Sílvio Luiz Araújo, muitos outros
empresários de fundo de quintal exploram guris
pelo Brasil afora. “E cadê os pais dessa piazada,
Andréia?”, vocês perguntam. Pois é,
gente! Muitas vezes, a família mal tem o que comer.
Porém, visando investir em tal no filho que joga
bem e pode vir a ser um Ronaldo, estampado como a esperança
de sanar todos os problemas, vendem o carro caindo aos
pedaços, a moto, a televisão, para pagarem
“taxas” ao manager. Na maioria das histórias,
são pessoas humildes, que mal sabem escrever o
próprio nome, e inocentes a ponto de acreditarem
em qualquer pessoa engravatada, perfumada e com um vocabulário
aparentemente amplo.
Daqui do meu QG cor de rosa, cheio de ursinhos de pelúcia,
fico com o coração apertado com essa cafajestice
toda. Esses monstros brincam com sonhos, com almas, com
contextos sociais abundantes em pobreza, com mentes que
ainda não estão maduras o suficiente.
Os encarcerados de Sílvio Luiz tiveram um final
feliz, sendo regatados pelo Conselho Tutelar. Mas, e os
que não têm essa chance? O que será
do caráter dessas crianças? Crianças
que algum dia sonharam, como qualquer uma assim o faz.
Entretanto, tiveram seus devaneios pisoteados por seres
inescrupulosos, sem berço e sem espírito.
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