Os melhores; Los grandes equipos; Os campeões de
Sulamérica*
Publicado em: 16 de setembro de 2009 -
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No último dia
15 de setembro, começou uma nova temporada da Liga
dos Campeões da Europa. Não sei quanto a vocês,
mas eu, particularmente sinto um friozinho na barriga quando
o tema musical oficial da competição é
entoado – você com certeza conhece aquele coral
que esgoela o refrão: “Die Meister, Die Besten,
Les Grandes Equipes, The Champions”.
Às vezes, o fascínio pela Liga dos Campeões
é tão grande, que não dou a mínima
para a nossa Libertadores, que já começou errada
sem um hino de idioma macarrônico para fazer a gente
chorar. O “de lá” possui uma letra constituída
por três línguas: inglês, alemão
e francês; o daqui seria em espanhol e português.
Por isso, se você é da CONMEBOL e está
a ler este texto, fica a dica fresquinha!
“Ah, é? Então, arrume os trapinhos, e
vá de mala e cuia para a Europa, querida!”, você
diz, após essa afronta à honra da América
do Sul e de seus libertadores – os que estão
nos livros de História do colégio, e não
os jogadores. Calma, que eu explico, caro leitor! A competição
interclubes do Velho Mundo possui os jogadores mais caros
da atualidade, o que já quase pode ser entendido como
os melhores. Afinal, perebas e chinelinhos vão para
o Oriente Médio – e voltam em três meses,
dizendo que não se adaptaram à “comida
de lá”.
E a final? Seria muito sacrifício escolher uma cidade
neutra, de estádio idem, para acabar com essas chateações
causadoras de gastrite chamadas de decisões de ida
e volta? Muitos torcedores sempre saem do país para
assistir o jogo de mando do adversário. E ainda por
cima, esses eventos podem ajudar no turismo de várias
cidades de nosso continente, que em poucas oportunidades estiveram
na rota do futebol. Já pensou em visitar Machu-Picchu,
tomar um chazinho, e no dia seguinte ter a oportunidade de
ver seu time se sagrar campeão da América sobre
o Boca Juniors, cujos torcedores também tomaram chá
contigo? Claro que é uma possibilidade, considerando
obviamente que a renda per capita de um latino não
é a mesma de um europeu, nem de longe.
Isso, sem nem entrar no assunto de marketing, já que
nossos clubes estão engatinhando perto de potências
como Real Madrid, Milan e Manchester United. Fato é
que enquanto não houver mais cuidado por parte da CONMEBOL
com a preciosidade que tem em mãos, continuarei com
a maior preguiça de assistir a um jogo da Copa Libertadores
após ter visto um da Liga dos Campeões da Europa.
Nosso futebol não merece essa pobreza!
* título prositalmente escrito no mais puro e
tradicional portunhol, referência ao macarrônico
P.S.: Esse post é especialmente dedicado a Simón
Bolívar, Bernardo O'Higgins, José de San Martín,
Antonio José de Sucre, e Dom Pedro I, que estão
se revirando no túmulo de tanta vergonha.
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