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08 de junho
de 2008
Uma casa portuguesa, com certeza
Andréia esteve com a colônia lusitana,
assistindo à estréia da seleção
na Eurocopa 2008
por Andréia
A
colônia já sabe: quando há jogo
da Selecção das Quinas, o point é
a Casa de Portugal de São Paulo. Lá,
torcedores, sejam eles descendentes, portugueses
de nascença ou simplesmente simpatizantes,
dançam ao som de música folclórica
e torcem pelo time, comandado pelo técnico
brasileiro Luiz Felipe Scolari.
E eu fui. O sangue açoriano ainda corre
por minhas veias, por isso tive a certeza de que
me entrosaria facilmente. Mas antes de chegar a
Portugal, estive no Japão: desembarcando
pela estação Liberdade do metrô,
às vésperas do centenário da
imigração japonesa e em plena feirinha
sabatina.
Na entrada da Casa de Portugal, a fila era organizada
e eficiente. Os enormes carros das emissoras de
TV, estacionados na porta, davam mais emoção
para a festa verde-encarnada. Em pouco tempo, já
estava no salão onde o telão estava
instalado. Acomodei-me próxima ao corredor
esquerdo, logo à segunda fileira. |

A fila para o elevador: souvenirs
eram distribuídos |
Faltando menos do que meia hora para o início
da defronta, o local já estava praticamente lotado.
Rapidamente, puxei assunto com um casal de amigos à
minha frente, dona Natália, benfiquista, e senhor
Francisco Mendonça, santista. Dona Natália,
arriscava o placar de 3 a 1 para os portugueses. Enquanto
o senhor Francisco, acreditava em uma vitória lusa
por dois gols a zero.
Dona Natália, senhor Francisco
e senhor Tomás - Minutos antes do apito inicial


Acima: entoando
o Hino Nacional Português / Abaixo:
houve quem não se importasse de ficar sentado
no chão
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Apesar de mais modesto, o senhor
Tomás Gomes, português nascido em Ourém
de Fátima, e também benfiquista, também
apostava em vitória “Gostaria de um
a zero. Um ou dois a zero já dá”.
E aproveitou para opinar sobre a permanência
de Felipão pós-Euro. “O Felipão
está muito bem em Portugal. A família
dele gosta muito de lá. Ele ainda está
lá por causa da família que se acostumou
muito bem a Portugal.”, acrescentando crer
que provavelmente serão muitas as propostas
de clubes ou seleções, independentemente
de qualquer resultado.
Inevitável foi não se emocionar quando
A Portuguesa, hino lusitano, foi executado. Na ponta
da língua de todos, uniformizados, ou não.
Ainda antes de perguntar ao adepto ao meu lado se
ele concordava com o atacante Nuno Gomes ser o capitão.
Obviamente, ele preferia Cristiano Ronaldo com a
braçadeira. E como o Puto Maravilha encanta
– ao lado de Felipão e do goleiro Ricardo,
Cristiano Ronaldo foi abundantemente aplaudido pelos
espectadores. O treinador foi o primeiro, quando
seu rosto apareceu no telão. Ronaldo, porque
o locutor incentivava o status de estrela do gajo.
Ricardo arrancaria palmas ao segurar as bolas perigosas
a gol.
Embora os primórdios da partida tenham sido
difíceis, ninguém esmoreceu. A animação
tomou conta. A angústia aparentava ter final,
no entanto, o gol do zagueiro brasileiro naturalizado,
Pepe, fora anulado por impedimento. Voltando à
estaca zero, juntamente à banda da música
portuguesa, a torcida cantarolava otimista.
Findando o primeiro tempo, dona Natália
e senhor Francisco continuavam confiantes em seus
placares. A alegria portuguesa continuou firme e
forte com muita música. Muitos faziam fila
para adquirirem petiscos e bebidas. Durante o caminho
pelo corredor, um pai, dançava com a filha
bebê. |
Na etapa complementar, a cada lance adjacente às
redes do goleiro turco Demirel, a fala era sempre a mesma:
“Agora vai!”. Finalmente Pepe marcou, deixando
o gol meio verde-encarnado, meio verde-amarelo. E quando
se pensava que o gol turco estaria seguro, pouco menos
ao fim do jogo, Raúl Meireles nem viu goleiro,
aproveitando jogada de Moutinho. O último minuto
recorreu despercebido, mediante tanta comemoração.
O placar do senhor Antônio se profetizou: dois gols
portugueses.

A hora do "golo":
nasce a esperança de estar no páreo
E com um resultado que já coloca Portugal na ativa,
o casal Bruna e Marcos engrossa o coro de “É
campeão”. “Foi melhor do que eu esperava!”,
disse Bruna. “Chegamos perto por duas vezes e esse
ano é nosso!”, encerrou Marcos, citando o
quarto lugar na Copa da Alemanha de 2006, e o vice na
Euro de 2004, contra a zebrada Grécia.
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