23 de setembro de 2008

Craques cibernéticos

Robôs criados por estudantes disputam campeonatos nacionais e mundiais de futebol

por Andréia

Você sabia da existência de robôs que jogam futebol? Eu apenas conhecia os simuladores e fiquei surpresa com o trabalho do Laboratório de Robótica e Inteligência Artificial da equipe do Centro Universitário da FEI [Fundação Educacional Inaciana]. E o assunto é uma questão científica, a ponto de já serem previstos para 2050, jogos entre times de humanóides e de seres humanos – com chances iguais para ambas as categorias.

Conversei com três dos alunos envolvidos na concepção: o são-paulino André de Oliveira Santos, do 6º semestre de Engenharia Eletrônica, o corintiano Felipe Zanatto, e o palmeirense Gabriel Franscischini, do 4º e 3º semestre de Ciência da Computação. Todos, coordenados pelo Professor Flavio Tonidandel, responsável pelo curso se Ciência da Computação, e também torcedor da equipe do Palestra Itália. “Falta um santista para contrabalancear”, brinquei, já que o campus fica em São Bernardo, próximo à Baixada Santista.

Robôs da categoria Very Small Size em ação

O projeto teve início em 2003, conta o Professor Flavio, junto do também Professor Reinaldo Bianchi. ”A idéia foi pegar um grupo que já estava com o Bianchi, que era de simulação, jogo de futebol de robôs só no computador. Conversamos com a Reitoria ‘Seria legal começar a trabalhar com o robô físico’. E a Reitoria deu sinal verde”, explica.

Os primeiros robôs foram comprados, e tiveram um software trabalhado, já visando o aprendizado dos alunos. Os robôs próprios foram desenvolvidos em seguida, como Iniciação Científica, para Engenharia Mecânica e Eletrônica. Essa bagagem pedagógica foi o que desencadeou robôs mais complexos e sofisticados, aponta o Professor. “Tem sensor, chute, drible”, ressaltando, porém, que na categoria Very Small Size, isso é impossível: “São três jogadores pequenininhos mesmo, então não cabe muita coisa. O outro [Small Size] já tem um espaço maior e deu para fazer coisas a mais”. Enquanto na categoria Small [pequeno, em inglês], cabem cinco robôs em campo, de formato cilíndrico em 15 centímetros - para cada equipe -, o Very Small [muito pequeno], é composto por três, quadriculados, de 7,5 centímetros cada.

Onidirecionais, os robôs possuem quatro rodas com roletinhas, que facilitam o deslocamento sem precisar virá-los. Entretanto, é necessário estar na celeridade exata em cada uma delas. Trata-se de uma evolução, pois o modelo menor contava com apenas duas rodas, o que implicava em curvas. O atual, gira e anda em linha reta, podendo logo estar na posição exata com a bolinha que irá para o gol. Demoraram cerca de dois anos, desde os planos até a configuração atual.

Os primeiros robôs foram comprados, e tiveram um software trabalhado, já visando o aprendizado dos alunos. Os robôs próprios foram desenvolvidos em seguida, como Iniciação Científica, para Engenharia Mecânica e Eletrônica. Essa bagagem pedagógica foi o que desencadeou robôs mais complexos e sofisticados, aponta o Professor. “Tem sensor, chute, drible”, ressaltando, porém, que na categoria Very Small Size, isso é impossível: “São três jogadores pequenininhos mesmo, então não cabe muita coisa. O outro [Small Size] já tem um espaço maior e deu para fazer coisas a mais”. Enquanto na categoria Small [pequeno, em inglês], cabem cinco robôs em campo, de formato cilíndrico em 15 centímetros - para cada equipe -, o Very Small [muito pequeno], é composto por três, quadriculados, de 7,5 centímetros cada.

 

Nas fotos acima: os robôs Very Small Size e Small Size. E parte do time da FEI [da esquerda para a direita, André, Profº Flavio, Felipe e Gabriel]

Os primeiros robôs foram comprados, e tiveram um software trabalhado, já visando o aprendizado dos alunos. Os robôs próprios foram desenvolvidos em seguida, como Iniciação Científica, para Engenharia Mecânica e Eletrônica. Essa bagagem pedagógica foi o que desencadeou robôs mais complexos e sofisticados, aponta o Professor. “Tem sensor, chute, drible”, ressaltando, porém, que na categoria Very Small Size, isso é impossível: “São três jogadores pequenininhos mesmo, então não cabe muita coisa. O outro [Small Size] já tem um espaço maior e deu para fazer coisas a mais”. Enquanto na categoria Small [pequeno, em inglês], cabem cinco robôs em campo, de formato cilíndrico em 15 centímetros - para cada equipe -, o Very Small [muito pequeno], é composto por três, quadriculados, de 7,5 centímetros cada.

Onidirecionais, os robôs possuem quatro rodas com roletinhas, que facilitam o deslocamento sem precisar virá-los. Entretanto, é necessário estar na celeridade exata em cada uma delas. Trata-se de uma evolução, pois o modelo menor contava com apenas duas rodas, o que implicava em curvas. O atual, gira e anda em linha reta, podendo logo estar na posição exata com a bolinha que irá para o gol. Demoraram cerca de dois anos, desde os planos até a configuração atual.

Os alunos dos cursos de Ciência da Computação, Engenharia Eletrônica e Mecânica, a partir do primeiro semestre que tenham “capacidade e vontade de aprender” já podem participar da iniciativa, de acordo com o Professor. “Eles aqui já entraram porque já tinham conhecimento anterior, o André já tinha feito Técnico em Eletrônica. Se entra um aluno que quer mexer na parte de eletrônica que ainda não viu isso no curso, fica mais difícil. Mas, estando a fim de gastar horas e horas em frente ao computador, na frente de sistemas eletrônicos, pode vir e participar.”

E não pense que o professor entrega o sistema pronto para os alunos. São eles quem pesquisa. “Não falo para eles o que tem de fazer. Chegar e dizer ‘agora você vai ligar esse fio naquele lá. Quando você ligar, eu te falo que você vai fazer depois’. Não faço isso”, frisa o mestre. Na verdade, os acadêmicos fazem um protejo da parte eletrônica, com determinadas características, que é entregue para Flavio. Isso também gera relatórios científicos. “Nosso foco principal não é ganhar competições. É produzir tecnologia, ciência. Isso nós temos feito bem”, exaltando que as disputas são apenas motivacionais.

A competição da qual o Professor Flavio fala é a Brasileira de Robótica, que acontecerá entre os dias 26 e 30 de outubro, em Salvador, Bahia. Também existe um mundial, mais seleto. Geralmente os brasileiros participantes são da Robocup - que forma a seleção nacional de robótica. “Tem uma qualificatória para o mundial, nós deveremos participar dela e torcer para que sejamos selecionados”, explica o Professor Flavio, visando o evento que no próximo ano deverá acontecer na Áustria. Aliás, a Robocup – que não lida apenas com futebol de robôs – sempre segue os mundiais esportivos – neste ano olímpico, esteve na China, na Eurocopa 2004, em Portugal, e durante as Copas, 1998, na França, 2006, na Alemanha, e em 2002, Coréia e Japão. Ou seja, em 2014, provavelmente será no Brasil.

Existem outras categorias como os four-footed – quadrúpedes – e os humanóides, os últimos são intenção da equipe da FEI. Para isso, o sistema de câmeras seria instalado no próprio robô – no Small Size, por exemplo, as câmeras estão na estrutura do campo, localizadas no alto, tendo assim uma visão aérea, identificando-os e enviando um sinal via radiofreqüência. Os humanóides são mais complexos, porque “pensam por si”, sem um computador, eles identificam as cores das traves – todavia, a idéia de um GPS é descartada pela falta de precisão abaixo de 10 metros, sendo que o campo de jogo mede 5 x 6 metros./


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