Você sabia da existência de
robôs que jogam futebol? Eu apenas conhecia os simuladores
e fiquei surpresa com o trabalho do Laboratório
de Robótica e Inteligência Artificial da
equipe do Centro Universitário da FEI [Fundação
Educacional Inaciana]. E o assunto é uma questão
científica, a ponto de já serem previstos
para 2050, jogos entre times de humanóides e de
seres humanos – com chances iguais para ambas as
categorias.
Conversei com três dos alunos envolvidos
na concepção: o são-paulino André
de Oliveira Santos, do 6º semestre de Engenharia
Eletrônica, o corintiano Felipe Zanatto, e o palmeirense
Gabriel Franscischini, do 4º e 3º semestre de
Ciência da Computação. Todos, coordenados
pelo Professor Flavio Tonidandel, responsável pelo
curso se Ciência da Computação, e
também torcedor da equipe do Palestra Itália.
“Falta um santista para contrabalancear”,
brinquei, já que o campus fica em São Bernardo,
próximo à Baixada Santista.

Robôs da categoria
Very Small Size em ação
O projeto teve início em 2003, conta
o Professor Flavio, junto do também Professor Reinaldo
Bianchi. ”A idéia foi pegar um grupo que
já estava com o Bianchi, que era de simulação,
jogo de futebol de robôs só no computador.
Conversamos com a Reitoria ‘Seria legal começar
a trabalhar com o robô físico’. E a
Reitoria deu sinal verde”, explica.
Os primeiros robôs foram
comprados, e tiveram um software trabalhado, já
visando o aprendizado dos alunos. Os robôs
próprios foram desenvolvidos em seguida,
como Iniciação Científica,
para Engenharia Mecânica e Eletrônica.
Essa bagagem pedagógica foi o que desencadeou
robôs mais complexos e sofisticados, aponta
o Professor. “Tem sensor, chute, drible”,
ressaltando, porém, que na categoria Very
Small Size, isso é impossível: “São
três jogadores pequenininhos mesmo, então
não cabe muita coisa. O outro [Small Size]
já tem um espaço maior e deu para
fazer coisas a mais”. Enquanto na categoria
Small [pequeno, em inglês], cabem cinco
robôs em campo, de formato cilíndrico
em 15 centímetros - para cada equipe -,
o Very Small [muito pequeno], é composto
por três, quadriculados, de 7,5 centímetros
cada.
Onidirecionais, os robôs possuem quatro
rodas com roletinhas, que facilitam o deslocamento
sem precisar virá-los. Entretanto, é
necessário estar na celeridade exata em
cada uma delas. Trata-se de uma evolução,
pois o modelo menor contava com apenas duas rodas,
o que implicava em curvas. O atual, gira e anda
em linha reta, podendo logo estar na posição
exata com a bolinha que irá para o gol.
Demoraram cerca de dois anos, desde os planos
até a configuração atual.
Os primeiros robôs foram comprados, e tiveram
um software trabalhado, já visando o aprendizado
dos alunos. Os robôs próprios foram
desenvolvidos em seguida, como Iniciação
Científica, para Engenharia Mecânica
e Eletrônica. Essa bagagem pedagógica
foi o que desencadeou robôs mais complexos
e sofisticados, aponta o Professor. “Tem
sensor, chute, drible”, ressaltando, porém,
que na categoria Very Small Size, isso é
impossível: “São três
jogadores pequenininhos mesmo, então não
cabe muita coisa. O outro [Small Size] já
tem um espaço maior e deu para fazer coisas
a mais”. Enquanto na categoria Small [pequeno,
em inglês], cabem cinco robôs em campo,
de formato cilíndrico em 15 centímetros
- para cada equipe -, o Very Small [muito pequeno],
é composto por três, quadriculados,
de 7,5 centímetros cada. |
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Nas fotos
acima: os robôs
Very Small Size e Small Size. E parte do time
da FEI [da esquerda para a direita, André,
Profº Flavio, Felipe e Gabriel] |
Os primeiros robôs foram comprados,
e tiveram um software trabalhado, já visando o
aprendizado dos alunos. Os robôs próprios
foram desenvolvidos em seguida, como Iniciação
Científica, para Engenharia Mecânica e Eletrônica.
Essa bagagem pedagógica foi o que desencadeou robôs
mais complexos e sofisticados, aponta o Professor. “Tem
sensor, chute, drible”, ressaltando, porém,
que na categoria Very Small Size, isso é impossível:
“São três jogadores pequenininhos mesmo,
então não cabe muita coisa. O outro [Small
Size] já tem um espaço maior e deu para
fazer coisas a mais”. Enquanto na categoria Small
[pequeno, em inglês], cabem cinco robôs em
campo, de formato cilíndrico em 15 centímetros
- para cada equipe -, o Very Small [muito pequeno], é
composto por três, quadriculados, de 7,5 centímetros
cada.
Onidirecionais, os robôs possuem quatro
rodas com roletinhas, que facilitam o deslocamento sem
precisar virá-los. Entretanto, é necessário
estar na celeridade exata em cada uma delas. Trata-se
de uma evolução, pois o modelo menor contava
com apenas duas rodas, o que implicava em curvas. O atual,
gira e anda em linha reta, podendo logo estar na posição
exata com a bolinha que irá para o gol. Demoraram
cerca de dois anos, desde os planos até a configuração
atual.
Os alunos dos cursos de Ciência da
Computação, Engenharia Eletrônica
e Mecânica, a partir do primeiro semestre que tenham
“capacidade e vontade de aprender” já
podem participar da iniciativa, de acordo com o Professor.
“Eles aqui já entraram porque já tinham
conhecimento anterior, o André já tinha
feito Técnico em Eletrônica. Se entra um
aluno que quer mexer na parte de eletrônica que
ainda não viu isso no curso, fica mais difícil.
Mas, estando a fim de gastar horas e horas em frente ao
computador, na frente de sistemas eletrônicos, pode
vir e participar.”
E não pense que o professor entrega
o sistema pronto para os alunos. São eles quem
pesquisa. “Não falo para eles o que tem de
fazer. Chegar e dizer ‘agora você vai ligar
esse fio naquele lá. Quando você ligar, eu
te falo que você vai fazer depois’. Não
faço isso”, frisa o mestre. Na verdade, os
acadêmicos fazem um protejo da parte eletrônica,
com determinadas características, que é
entregue para Flavio. Isso também gera relatórios
científicos. “Nosso foco principal não
é ganhar competições. É produzir
tecnologia, ciência. Isso nós temos feito
bem”, exaltando que as disputas são apenas
motivacionais.
A competição da qual o Professor
Flavio fala é a Brasileira de Robótica,
que acontecerá entre os dias 26 e 30 de outubro,
em Salvador, Bahia. Também existe um mundial, mais
seleto. Geralmente os brasileiros participantes são
da Robocup - que forma a seleção nacional
de robótica. “Tem uma qualificatória
para o mundial, nós deveremos participar dela e
torcer para que sejamos selecionados”, explica o
Professor Flavio, visando o evento que no próximo
ano deverá acontecer na Áustria. Aliás,
a Robocup – que não lida apenas com futebol
de robôs – sempre segue os mundiais esportivos
– neste ano olímpico, esteve na China, na
Eurocopa 2004, em Portugal, e durante as Copas, 1998,
na França, 2006, na Alemanha, e em 2002, Coréia
e Japão. Ou seja, em 2014, provavelmente será
no Brasil.
Existem outras categorias como os four-footed
– quadrúpedes – e os humanóides,
os últimos são intenção da
equipe da FEI. Para isso, o sistema de câmeras seria
instalado no próprio robô – no Small
Size, por exemplo, as câmeras estão na estrutura
do campo, localizadas no alto, tendo assim uma visão
aérea, identificando-os e enviando um sinal via
radiofreqüência. Os humanóides são
mais complexos, porque “pensam por si”, sem
um computador, eles identificam as cores das traves –
todavia, a idéia de um GPS é descartada
pela falta de precisão abaixo de 10 metros, sendo
que o campo de jogo mede 5 x 6 metros./
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