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22 de agosto de 2008

Audição à prova do grito de gol

Barulho nos estádios pode danificar a audição dos torcedores

por Andréia

Talvez muitos não estejam cientes, mas o barulho nos estádios de futebol pode representar certo perigo para os ouvidos do torcedor. Da perda de audição temporária à gradativa e permanente. E o mais alarmante é que praticamente de regra, a audição afetada não recebe devida atenção.

Para desvendar o assunto, convidei o torcedor santista Fábio Menezes, a realizar um check-up auditivo no IEAA - Instituto de Estudos Avançados da Audição - sob os cuidados das fonoaudiólogas, doutoras Vera Cecília Gelardi e Ana Cláudia Fontana.

Enquanto Fábio era submetido aos procedimentos, aproveitei para tirar minhas dúvidas com as especialistas. Descobri que até o momento não há publicação científica sobre o assunto. Entretanto, o som de um estádio de futebol possui uma média entre 110 e 117 decibéis. “Para se adquirir uma perda temporária de audição, denominada mudança temporária do limiar auditivo [MTL] são necessários 80 decibéis [A]”, explica doutora Vera Gelardi, que completa: “A perda da audição costuma acontecer gradativamente. Quem freqüenta estádios eventualmente está vulnerável a uma perda auditiva temporária. Já o torcedor fanático, que participa de torcidas organizadas pode perceber que já está com dificuldade para ouvir e não estar consciente do motivo”.

Fábio, respondendo ao questionário, primordial para que a Dra. Ana Cláudia realize a análise

E se você é o tipo de torcedor que leva radinho ao estádio, para não perder nenhum lance da partida de seu time do coração, pode estar agravando a situação “Ele [o torcedor] estará exposto a duas fontes sonoras com intensidades diferentes que somadas aumentam o número de decibéis e a chance de adquirir MTL. É bom lembrar que esses rádios têm a faixa de freqüência distorcida, o que acarreta mais problemas.”, conta a doutora Gelardi.

Algumas empresas lançaram protetores auriculares, e modelos são o que menos falta: internos, de silicone, algodão, com fios que ligam de uma orelha a outra, fones grandes e até moldes no formato da orelha do paciente. Muitas esposas de músicos famosos já foram flagradas com seus rebentos devidamente protegidos [foto]. Contudo, o que é costume no mundo da música, está longe de acontecer no futebol. “O maior efeito nas crianças é o estresse provocado pela exposição ao barulho. Elas ficam irritadas, choram, se assustam, e isso compromete a qualidade de vida dessas crianças”.

Cuidando dos pequeninos

No mundo sonoro da música: À esquerda, a atriz Gwyneth Paltrow, fazendo questão que sua filha Apple use os protetores em forma de estilosos fones, na última edição do Live 8. À direita, Natalie Hanson, levando os filhos Ezra e Penelope para apresetação do papai Taylor. As crianças dos irmãos Hanson são freqüentemente flagradas com os fones.

 

Em um geral, não deve-se-ia adotar a medida de prevenção apenas para os pequenos. “Os protetores auriculares são indicados para quem se expõe à intensidade sonora maior ou igual a 85 decibéis de maneira permanente e contínua com o objetivo de prevenir a instalação de uma perda de audição permanente. Devemos conscientizar não só torcedores de futebol, mas, toda a população do risco de exposição a sons de alta intensidade. Um trabalho de educação em saúde auditiva e vocal para esse público seria fundamental para motivá-los ao auto-cuidado”, incentiva a doutora. Vera.

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