Publicado em: 27 de março de 2010
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Os autores falam
Márcio Kroehn e Bruno Chiarioni responderam algumas
perguntas a respeito do livro. Além de escolheram
a mais marcante capa da Placar e falarem sobre a linha editorial
atual da publicação:
Já era um projeto de vocês escreverem “Onde
o esporte se reinventa: histórias e bastidores dos
40 anos de Placar”? Como surgiu a ideia?
Márcio Kroehn: O embrião
do livro surgiu na Universidade São Judas. A Placar
foi nosso trabalho de conclusão de curso em 2004.
Ficamos encantados com as histórias e partimos para
ouvir mais, complementar tudo o que nos falavam. Mergulhamos
de cabeça e fomos unindo as histórias dos
placarianos. Quando percebemos, já tínhamos
um grande material para levar ao grande público.
E agora aí está ele.
Bruno Chiarioni e Márcio
Kroehn
O livro conta com declarações de várias
figuras que passaram pelos bastidores da Placar. Existe
algum depoimento, que por qualquer motivo, ficou faltando?
Márcio Kroehn: Foi muito difícil
editar, porque todos falaram com carinho da revista. E cada
um tem sua história fantástica e particular.
Mas tínhamos que privilegiar a compreensão
do leitor. Se faltou alguém, foi o presidente da
Abril, Roberto Civita, que acabou sendo representado pelo
Thomaz Souto Correa.
Bruno Chiarioni: Se o Roberto Civita tivesse
falado, teríamos "a visão" do veículo
Placar. Afinal, quem não gostaria de saber o que
o dono de um dos maiores veículos de imprensa, pensa
sobre sua revista de jornalismo esportivo?
Qual é a capa ou conteúdo editorial inesquecível
da Placar, na opinião
de cada um de vocês?
Márcio Kroehn: A Máfia da
Loteria Esportiva, sem dúvida, é um divisor
de águas no jornalismo esportivo. Placar trouxe à
tona o caso Watergate brasileiro que, infelizmente, não
teve as conseqüências desejadas de limpeza geral
do futebol brasileiro. Esta é uma grande reportagem.
É difícil falar de uma capa apenas, mas para
mim a última da Placar Todos os Esportes, em 1984,
com o Montanaro cheio de marcas de batom é marcante:
ali está uma prova da dificuldade de se fazer uma
revista esportiva, e não apenas de futebol, no Brasil.
Bruno Chiarioni: A capa do Edmundo, com
um ursinho de pelúcia, é a mais marcante.
Lembro bem da reportagem que trazia o "animal"
com uma aparência completamente diferente. O tom agressivo
e encrenqueiro dentro de campo dava lugar ao personagem
meigo e carinhoso. A reportagem fez um grande sucesso e
até o ajudou financeiramente. Edmundo estrelou uma
campanha da W/Brasil graças àquela capa.
A Placar mudou sua abordagem ao futebol com o passar dos
anos, deixando um pouco de lado o jornalismo investigativo
intenso, o “dedo na ferida”. Também deixou
de circular semanalmente, como tentou agregar outros esportes
por um curto período. Qual a importância da
revista realizar esse tipo de transformação?
Márcio Kroehn: A percepção
que Placar deixou de ser uma revista de jornalismo investigativo
acontece, porque hoje é mensal. Mas, recentemente
a publicação trouxe o caso dos Gatos no Futebol
– jogadores com idade adulterada – e esmiuçou
a história da Máfia do Apito, que foi inicialmente
publicada na Veja. Mas é fato que a revista se transformou.
E é esse o principal motivo para ela sobreviver hoje
em dia. Ela precisa estar em todos os formatos possíveis,
do papel ao vídeo. Por isso, Placar é jornal,
revista, internet, celular etc. É a evolução
dos meios de comunicação. Para sobreviver,
é preciso acompanhar o que o leitor quer e precisa.
Bruno Chiarioni: Placar soube se reinventar
como veículo de comunicação. Deixou
de ser somente uma revista de esporte e sobre esporte para
se tornar uma marca esportiva. A revista é necessária
para alimentar uma série de subprodutos de sucesso.
Essa é a saída para a convergência das
mídias. No mundo moderno, o veículo que não
se adapta, perde fôlego.
Para encerrar, qual será a sensação
do leitor que mergulhar nas histórias de “Onde
o esporte se reinventa: histórias e bastidores dos
40 anos de Placar”?
Márcio Kroehn: Primeiramente o
leitor vai se divertir e emocionar ao perceber que a revista
teve muitas vidas. E isso significa muita emoção,
para a alegria e a tristeza. Será curioso ver como
eram feitas as matérias, como surgiam as idéias,
conhecer os fatos curiosos. É um grande bate-papo,
que sempre termina com uma reportagem para ilustrar o que
está sendo falado. Além disso, o leitor vai
acompanhar a história do futebol e do esporte brasileiro.
E vai perceber que a história do esporte brasileiro
é curta nas páginas da revista porque é
um reflexo da ausência de uma política pública
esportiva. E como não tem quem não guarde
uma recordação antiga da revista, o livro
vai reavivar esse bom sentimento.
Bruno Chiarioni: O leitor vai se deparar
com histórias de fôlego e, o melhor, acompanhar
os bastidores que marcaram as principais reportagens de
Placar. Para quem gosta de jornalismo, é bem curioso
saber os desafios da reportagem. São histórias
de repórteres que sonhavam como crianças.
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