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Grandes recordações de quem fez história na imprensa esportiva

Jornalistas Bruno Chiarioni e Márcio Kroehn lançam livro sobre os 40 anos da revista Placar, em São Paulo, e falam sobre o trabalho

Publicado em: 27 de março de 2010 - Imprimir

No domingo, dia 20 de março, a revista Placar – símbolo-mor dos veículos impressos voltadas ao futebol no Brasil - completou 40 anos. E para celebrar, dois jornalistas lançaram um livro com histórias que aguçam a curiosidade de muitos fãs do esporte bretão e aspirantes a cronistas. Na terça-feira 23, Bruno Chiarioni e Márcio Kroehn apresentaram “Onde o esporte se reinventa: histórias e bastidores dos 40 anos de Placar”, no bar e café O Torcedor, dentro do estádio do Pacaembu.

Em um clima descontraído e familiar – inclusive porque crianças brincavam de correr para todos os lados, enquanto os pais aguardavam na fila de autógrafos –, convidados prestigiavam Bruno e Márcio. Entre eles, Sérgio Xavier, atual diretor de redação da Placar, e Arnaldo Ribeiro, redator-chefe. Na área externa, Juliana Lima embalava a noite ao som de MPB.

Livros expostos e já disponíveis para venda, enquanto Bruno e Márcio autografam alguns exemplares

 

A leitura

Você sabia?

Junto da primeira edição da Placar, que circulou a partir de 20 de março de 1970, vinha um brinde mais do que especial: uma moeda em metal, com o rosto de Pelé. O mimo foi idealizado por Victor Civita, fundador da Editora Abril. O objeto era inspirado na moedinha da sorte do Tio Patinhas, já que antes da revista de futebol, a editora era responsável pela distribuição dos gibis Disney no Brasil.

Suposta foto do primeiro brinde fornecido pela revista Placar, em 1970

 

Publicado pela Primavera Editorial, o livro aborda Placar desde seus primórdios, no mesmo ano do tricampeonato brasileiro. Histórias contadas através das próprias figuras que passaram pela revista em suas quatro décadas matam a curiosidade que exista a respeito do ambiente de redação. Nomes como Juca Kfouri, Carlos Maranhão, Michel Laurence, Paulo Vinícius Coelho [PVC], André Rizek, Celso Kinjô, Kátia Perin, entre outros nada menos relevantes, recordam momentos até então inéditos para o grande público. Os prefácios ficam por conta de Zico e Rogério Ceni, e a apresentação, por Mauro Beting.

 

Não escrevo, nem edito com as pernas

Um dos trechos mais inusitados do livro aconteceu durante a Copa de 1982. Juca Kfouri, então recém-chegado à Espanha, soube que Celso Kinjô havia sofrido um grave acidente de carro. Preocupado, Kfouri decide voltar para o Brasil, mas é impedido por um telegrama de Kinjô, que de acordo com ele, continha praticamente as seguintes palavras: “Terça-feira eu estarei na redação da Placar para trabalhar. Se você voltar, eu vou entender isso como uma demonstração de falta de confiança em mim, o que vai equivaler ao meu pedido de demissão. Não faz sentido nenhum você voltar. Eu não escrevo com as pernas, eu não edito com as pernas, eu não vou deixar a peteca cair”. Três dias depois, a equipe de Placar na Espanha recebe uma foto de Kinjô em serviço na redação, com as duas pernas engessadas.

 

Veja mais: entrevista com os autores >

 

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