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Entrevista:

Alline Calandrini

Ela é linda, e já sabe disso. Agora, prova ser mais do que um rostinho bonito nas quatro linhas do futebol – e fora deles no futuro.

Publicado em: 07 de setembro de 2009 - Imprimir

Muita gente ouviu falar de Alline Calandrini pela primeira vez no ano passado, quando a amapaense foi eleita a musa do mundial feminino, realizado no Chile. No entanto, a zagueira santista é muito mais do que beleza. Simpática, ela aceitou ser a primeira entrevistada do Andréia no País do Futebol versão 7, e mostra ser alguém com os pés no chão. Preocupada com o presente, zela pela carreira de jogadora; e com o futuro, planeja trabalhar na crônica esportiva, mas apenas com o diploma de jornalista em mãos.


Andréia- Você começou a jogar futebol com quantos anos?

Calan - Futebol eu jogo desde os 6 anos de idade. Lembro que foi na Copa de 94! Mas profissionalmente eu jogo desde os 18.

 

Andréia - Você saiu de casa ainda adolescente para jogar, né? Como foi sua chegada à Santos, e sua adaptação?

Calan - Isso. Saí com 17, indo pros 18! Eu joguei três meses no Juventus. Só que houve um probleminha lá e várias meninas saíram de uma vez! Eu, Erika, Erikinha, Dani... etc. Viemos todas para o Santos. Então metade de grupo já tinha convivência... foi tranquilo!

 

Andréia - As Sereias da Vila também ganham uma bolsa de estudos, o que é algo muito vanguardista em termos de esporte no Brasil. Soube que você cursa Jornalismo. Quais são seus planos em relação à formação? Até em que ponto, você considera que um curso de nível superior ajuda um atleta?

Calan - Penso em unir minha carreira de atleta e o curso de jornalismo! Todo atleta sonha em ir para um mundial, pan americano e olimpíadas. Essas são minhas grandes metas, ter um reconhecimento, e após isso trabalhar na carreira jornalística! Acredito que terei mais facilidades! Até como jornalista penso em um dia poder cobrir um evento mundial desse nível.
Nós sabemos que a vida de um atleta é curta. Então quem tem a chance de poder cursar algo, tem que aproveitar. O Santos dá a bolsa pra gente e muitas fazem, até porque isso é um diferencial.

 

Andréia - Você conhece algum jogador da equipe masculina que esteja na universidade?

Calan - O Felipe, atual goleiro titular do time do Santos estuda na minha faculdade. Fora ele, não me recordo de nenhum.

 

Andréia - Aproveitando o fato de ser uma futura Bacharel em Jornalismo, qual a sua opinião sobre a queda da obrigatoriedade do diploma?

Calan - Acho um desmerecimento com o profissional. Como qualquer outra profissão o jornalista tem que ter um diploma! Até para saber seu valor, pós-graduação, mestrado, etc.

 

Andréia - Como é a tua rotina em um dia de treino? O que te motiva para equilibrar as agendas e não perder ocontrole de nada?

Calan - Na parte da manhã temos academia [musculação]. Após isso, tenho que sair correndo pra almoçar e descansar! Na parte da tarde tem treino, das 15 às 18. Depois tenho que jantar rapidinho e ir pra faculdade. É bem corrido, tem que dormir no dia anterior já sabendo o que vou fazer! Porque fora isso, às vezes tem algo diferente. Como dar entrevistas, estudar pra provas, tirar fotos, fazer trabalhos da faculdade... Enfim!

 

Andréia - No Mundial do ano passado, no Chile, você foi eleita a musa da competição. Quais são os prós e os contras de ser uma jogadora de futebol bonita?

Calan - Fiquei bem surpresa com essa eleição! Lembro que quando começou esse rótulo, eu ficava meio chateada. Eu nunca quis ser vista como uma menina bonita, e sim como uma boa jogadora de futebol! Acredito que isso é o lado ruim. Mas quando eu entrava em campo procurava dar sempre meu melhor e mostrar meu jeito de jogar. Com tempo esse paradigma de ser só bonita foi quebrado!

 

Andréia - O futebol feminino no Brasil ainda está longe do futebol masculino em termos de público e cifras. Qual é o teu balanço do progresso desta modalidade do esporte no cenário atual?

Calan - Eu acredito que este cenário [em SP] vem mudando! As medalhas que a Seleção Brasileira de Futebol Feminino conquistou recentemente fizeram diferenças, mesmo sendo de prata! Claro que ainda não é o cenário do masculino, mas as coisas estão melhorando! Falo isso porque já vi o futebol feminino em baixa! Hoje estamos tendo a chance de disputar cinco campeonatos no ano. Coisa que há dois ou três anos pra trás nunca tinha! O esporte no Brasil vive de conquistas, acredito que o dia em que formos campeãs olímpicas ou mundiais, vai ser melhor ainda!

 

Andréia - O que falta para o futebol feminino "estourar"?

Calan - Faltam os clubes de camisa [ressalta Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Vasco, etc] abrirem portas para o feminino. Se cada clube tivesse um time de futebol feminino a procura da imprensa e de patrocinadores seria bem maior.

 

Andréia - Quem você gosta de ver jogar ou te inspira?

Calan - Sou zagueira, então admiro o futebol de três defensores! Juan, Lúcio e Miranda.

 

Andréia - Muitas meninas que querem ser como você estão lendo essa entrevista. Qual a tua dica para elas?

Calan - Sempre acreditar em seus sonhos! Estar preparada para o momento, para quando a oportunidade surgir, você está pronta para realizá-lo.

 

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