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Entrevista:

Dia Internacional da Mulher: Michelle Giannella fala sobre ser uma mulher no futebol

por Andréia

Em um meio, até pouco tempo atrás dominado por homens, em seus mais variados perfis, as mulheres vêm ganhando destaque e respeito. Exemplo disso é a jornalista Michelle Giannella que, para alguns ainda pode ser apenas a loirinha simpática do Mesa Redonda, porém, para muitos, principalmente quem é da área ou entende sobre futebol, é uma profissional séria, dedicada e que serve de inspiração a muitas garotas.

Juventina assumida e graduada pela Faculdade Cásper Líbero, Michelle possui uma postura reservada. Amizade com boleiros? Nem pensar. Seguindo essa linha de comportamento, obteve a deferência dos marmanjos. E neste Dia Internacional da Mulher, ela dá o recado para a ala feminina que ama e que almeja trabalhar no futebol.

Andréia - Você acha que a visão da mulher no jornalismo esportivo mudou, desde que começou, para hoje em dia?
Michelle - Acho que a mulher sempre teve um espaço grande no jornalismo, mas claro que hoje, como em todas as áreas, o número aumentou bastante.

Era sua intenção seguir na área esportiva?
Era uma das opções, mas não minha prioridade.

Em sua turma da faculdade, quantos visavam à área? Desses, quantas meninas?
Não me lembro com exatidão, mas acho que uns 10 homens queriam trabalhar na área esportiva e só umas duas mulheres.

Como é sua relação com jogadores e técnicos?
Minha relação é extremamente profissional. Eu os encontro quando são convidados para participar do Mesa Redonda e, eventualmente, durante uma reportagem.

Algum técnico ou jogador já "torceu o nariz" para você em estúdio, ou fora, pelo fato de ser mulher?
No começo do meu trabalho no Mesa Redonda foi um pouco mais difícil, mas hoje a relação é normal e todos me respeitam muito.

Já recebeu alguma cantada? Como foi?
Não. Só no começo da minha participação no Mesa Redonda alguns jogadores brincavam, mas isso acabou devido à minha postura.

Alguma esposa ou namorada de boleiro ficou enciumada por você ser bonita?
Não que eu saiba.

Algum torcedor exaltado já te ameaçou, ou fez uso de vocabulário pejorativo para te repreender?
Não, nunca.

Dá para manter amizade com colegas de trabalho, fora do expediente, sem ser vítima de boatos?
Claro que sim, colegas jornalistas, colegas de profissão sim, mas não com jogadores de futebol.

No Troféu Mesa Redonda: Michelle apresenta, ao lado de Flávio Prado, o 'Oscar do futebol brasileiro'

 

Foto: Arquivo pessoal

Qual é seu maior segredo, ou regra para que uma jornalista seja respeitada neste meio?
Ter postura, ser bem informada e muito profissional.

Ouvi dizer que você tem uma coleção de uniformes de várias equipes. É hobby, ou você simplesmente os ganha?
Essa informação não procede.

Qual foi o fato que mais te marcou nesse tempo todo atuando no Mesa Redonda e no Gazeta Esportiva?
O mais marcante é trabalhar ao lado de grandes nomes do jornalismo esportivo como Chico Lang, Roberto Avallone, Flávio Prado, Celso Cardoso... a cada dia dá para aprender alguma coisa nova e melhorar no exercício da profissão.

Quem você acha mais fácil entrevistar?
Os jogadores que atuam no Brasil são mais acessíveis, claro. Hoje em dia há assessoria de imprensa nos clubes, então é só telefonar e solicitar a entrevista...

E quem é chato?
Ninguém.

Qual é a sua mensagem para as mulheres, neste 8 de março, que sonham ser grandes jornalistas, árbitras, jogadoras, enfim, trabalhar com o futebol?
A minha mensagem é que as mulheres continuem trabalhando com profissionalismo, seriedade, garra e competência, para que possam cada vez mais conquistar um espaço de prestígio no meio esportivo.

 


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