Biografia

Nascimento e infância

Pisciana de 19 de março, Andréia de Araújo Moura, ou simplesmente Andréia de Moura, se orgulha em ser uma “guria do dia de São José”. A única menina no berçário da maternidade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, nascida naquela madrugada de 1987, pode ter começado por ali sua invasão ao que pode ser classificado mundo masculino.

A professora do Jardim de Infância notou que aquela garota não era como as demais crianças e após algumas avaliações, aconselhou sua mãe a tentar matriculá-la em algum colégio particular como aluna adiantada da primeira série, mas as condições financeiras da família impediram que isto se concretizasse.

Andréia sempre demonstrou interesse em se expressar. Aos 5 anos já escrevia textos. Uma vez, surpreendeu sua mãe, que ao chegar do trabalho, se deparou com as paredes da sala de casa totalmente cobertas com desenhos feitos em folhas de papel sulfite que havia comprado naquele mesmo dia para a filha. Na brincadeira de apresentar um programa de rádio, o microfone fazia com que sua vizinhança a ouvisse.

Na escola, Andréia não era popular, sendo desprezada por alguns colegas. Não tirava notas altas, porém sempre teve idéias fortes, como os vários projetos que apresentava a diretoria – que sempre os considerava amplos demais para a realidade da instituição. Suas teorias afastavam-na mais ainda dos demais alunos. Durante as aulas, Andréia escrevia reportagens fictícias e histórias em quadrinhos, que muitas vezes paravam nas mãos de seus professores. Suas redações sempre se destacavam, assim como seus trabalhos de Educação Artística.

 

Carreira e paixão por futebol

Entretanto, por incrível que pareça, sua paixão pelo futebol, que começou cedo, era podada pela acinzentada ideologia de que não se tratava de um esporte feminino. Andréia cresceu ouvindo jogos, muitos do Santos Futebol Clube, time do qual seu pai é torcedor. Só começou a opinar sobre as partidas nas rodinhas da escola na adolescência. Ainda sim, em Educação Física, ela preferia se esconder dos professores, chegando a chorar e passar mal em algumas aulas.

Aos 13 anos assinou seu primeiro contrato com uma agência de modelos, chegando a participar de desfiles, eventos e figurações. A carreira de modelo não lhe parecia algo certo, pois além de não possuir a altura exigida, nem ser tão magra, se decepcionou com atitudes de má fé vindas de muitos colegas que tentavam se dar bem.

Optou, então, pelos bastidores da moda, trabalhando como camareira em desfiles, e até produzindo um editorial. Estudou em uma escola preparatória, visando produção de moda e personal styling, sendo uma aluna muito elogiada por sua professora. Logo, abandonou o mundo fashion, por concluir que não combinava com a atmosfera.

 

Rumo à crônica esportiva e uma perda irreparável

Andréia sentia o impacto que a paixão por futebol causava. Principalmente durante as Copas do Mundo. A menina que até então tinha tudo para se tornar alguém na moda, começou a assumir seu grande interesse pelos campeonatos, clubes e atletas. Em 2005, aos 17 anos, lançou um blog, humilde em layout, em servidor gratuito e sem grandes pretensões. O que não esperava é o fato deste chamar atenção de grandes nomes da crônica esportiva, que a incentivaram a continuar.

Infelizmente, no ano de 2006, em meados das semifinais da Copa do Mundo na Alemanha, Andréia perdeu sua avó materna, Maria Tavares, um de seus maiores portos-seguros. Seus planos profissionais ficaram de lado para uma tristeza profunda que a manteve afastada de muitos de seus sonhos, em um universo paralelo e particular por alguns meses.

 

Lidando com obstáculos e sonhando

Tudo indicava que o ano de 2007 seria seu. Andréia iniciou o curso universitário de Comunicação Social, com especialização em Jornalismo nas Faculdades Integradas Alcântara Machado, a FIAM. E o blog virou site com domínio próprio, o “Andréia no País do Futebol .net”, além de ter sido convidada a ser repórter da Rádio Clube do ABC Paulista. E, o que parecia ser seu momento se tornou um pesadelo: sem condições financeiras, Andréia solicitou uma bolsa de estudos, até sabendo não ser uma tarefa simples, por ainda estar no primeiro semestre. A reitoria da universidade ignorou seus requerimentos, e-mails e horas, durante dias, em espera na central de atendimento ao aluno, em busca de pelo menos uma conversa com algum representante. A matrícula foi trancada e junto com ela, seus sonhos. O site ficou em hiatus por um longo tempo. Nesse período, somente cumpria agenda na rádio, necessitando de inspiração para tocar projetos particulares adiante.

Às vésperas de completar 21 anos, Andréia seguiu sua jornada, como repórter do programa Hora do Esporte, e comentarista do STI Esporte durante transmissões. Ainda pretende regressar à vida universitária assim que plausível, e obter todos os diplomas que almeja. E o mais importante: sempre com a humildade e o respeito que aprendeu a passar desde pequena.

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